segunda-feira, 18 de novembro de 2013

As "pílulas" de Santo Antônio de Sant'Anna Galvão


 

As irmãs do setor feminino dos Arautos do Evangelho de Nova Friburgo estiveram nesta quinta-feira -dia 14 de novembro- em Guaratinguetá, SP, visitando a Igreja de Santo Antônio. Foi nesse templo que Santo Antônio de Santana Galvão recebeu o sacramento do Batismo, fez sua primeira comunhão e celebrou sua primeira Missa.

As irmãs tiveram a imensa graça de conhecer o local onde são confeccionadas e distribuídas a todo o Brasil as “pílulas de Frei Galvão”, onde inclusive puderam aprender a fazer o santo remédio e, por uns instantes, ali prestaram seu trabalho voluntário.
               Diariamente muitos piedosos devotos desse santo brasileiro ali oferecem seu tempo e passam horas a fio fazendo com as próprias mãos as pílulas que, pela fé e intercessão do santo Frei Galvão, operam tantas curas de males corporais e espirituais.













As "pílulas" de Frei Galvão

Esse costume tão característico de nosso Santo - ininterruptamente seguido por milhares de fiéis desde quando ele era vivo até os dias de hoje - comprova, pelas graças e feitos portentosos que opera, não ser uma mera crença popular.

Diz a história que certo dia apresentaram a Frei Galvão um moço com muitas dores, sem poder expelir uns cálculos renais. O santo religioso movido de compaixão, depois de rezar teve uma súbita inspiração. Escreveu em três papelinhos a seguinte frase do ofício da Santíssima Virgem Maria: "Post partum Virgo inviolata permansisti: Dei Genitrix intercede pro nobis", ou seja: "Depois do parto, ó Virgem, permanecestes intacta; Mãe de Deus, intercedei por nós".

Enrolou os papeizinhos em forma de pílula e deu ao jovem para que os tomasse como remédio. Logo depois o moço expeliu um grande cálculo e ficou curado. Mais tarde um homem aflito procurou Frei Galvão, dizendo que sua esposa, que ia dar à luz, estava muito mal. Novamente ele se lembrou do versículo do ofício de Nossa Senhora escreveu, enrolou e mandou as pílulas para a mulher. Depois de tomá-las, ela deu à luz sem nenhum problema.

Estes e outros fatos se propagaram rapidamente e os pedidos dos célebres papelinhos, ou pílulas, ficaram muito frequentes.

Frei Galvão ensinou às irmãs do Recolhimento a fazerem pílulas, de modo que, mesmo em sua ausência, as pudessem dar às pessoas que viessem pedir na portaria do Convento.

No início as pílulas eram procuradas, sobretudo, pelas parturientes. Com o tempo, porém, começaram a ser usadas por quem sofria de enfermidades diversas, de modo especial problemas renais, cálculos ou pedras nos rins. E até para a conversão de pecadores. Hoje em dia são solicitadas por homens, mulheres e jovens que nas doenças - principalmente câncer - ou em dificuldades de toda espécie, invocam a intercessão do servo de Deus e as tomam com fé.


Um pouco da história de Santo Antônio de Sant'Anna Galvão

Santo Antônio Galvão nasceu em 1739, em Guaratinguetá, no interior do estado de São Paulo. O ambiente familiar era profundamente religioso. Antônio viveu com seus irmãos numa casa grande e rica, pois seus pais gozavam de prestigio social e influência política.

Desde pequeno foi iniciado ainda pela mãe a ajudar os pobres de Guaratinguetá, pois dona Izabel, ao morrer, havia deixado todas as suas vestes para os pobres. O pai, Antônio, sempre foi solícito pelos mais necessitados. Portanto, aprendera em família a amar os prediletos de Deus.

O pai, querendo dar uma formação humana e cultural segundo suas possibilidades econômicas, o mandou, com a idade de 13 anos, para Belém (Bahia) a fim de estudar no seminário dos padres jesuítas. Ficou no colégio de 1752 a 1756, com notáveis progressos no estudo e na prática da vida cristã. Com o clima antijesuítico provocado pela atuação do marquês de Pombal, Antônio entrou para os Frades Menores Descalços da Reforma de São Pedro e Alcântara, em Taubaté, SP.

Aos 21 anos, no dia 15 de abril de 1760, Antônio ingressou no noviciado no convento de São Boaventura, na vila de Macacu, no Rio de Janeiro. As 16 de abril de 1761 fez a profissão solene e o juramento, segundo o uso dos franciscanos, de se empenhar na defesa da Imaculada Conceição de Nossa Senhora, doutrina aceita e defendida pela ordem franciscana.

Um ano depois da profissão religiosa, Frei Antônio foi admitido a ordenação sacerdotal, aos 11 de julho de 1762, no Rio de Janeiro. Depois de ordenado, foi mandado para o convento de São Francisco, em São Paulo, com o fim de aperfeiçoar os estudos de filosofia e teologia como também exercitar-se no apostolado. Sua maturidade espiritual franciscano-Mariana teve sua expressão máxima na "entrega a Maria" como seu "filho e escravo perpétuo", entrega assinada com o próprio sangue aos 9 de novembro de 1766.Terminados os estudos em 1768, foi nomeado pregador, confessor dos leigos e porteiro do convento. Foi confessor estimado e procurado, e, muitas vezes, quando era chamado ia a pé, mesmo aos lugares distantes.

Durante sua última doença, Frei Antônio passou a morar num "quartinho" (espécie de corredor) atrás do tabernáculo, no fundo da igreja, do Mosteiro da Luz. Terminou sua vida terrena aos 23 de dezembro de 1822, pelas 10 horas da manhã, confortado pelos sacramentos e assistido pelo seu padre guardião, dois confrades e dois sacerdotes diocesanos. Frei Galvão, a pedido das religiosas e do povo, foi sepultado na igreja do Recolhimento que ele mesmo construíra.
 
A caridade de Frei Galvão brilhou, sobretudo, como fundador do mosteiro da Luz, pelo carinho com que formou as religiosas e pelo que deixou nos estatutos do então recolhimento da Luz. São páginas que tratam da espiritualidade, mas em particular da caridade de como devem ser vivida a vida religiosa e tratadas as pessoas de dentro e de fora do "recolhimento". "Foi frade de muita caridade, foi frade de muita vida espiritual, antes de tudo", escreveu Frei Henrique Golland Trindade, mais tarde bispo de Botucatu, SP Além desse testemunho, ternos o depoimento das religiosas mais antigas do recolhimento da Luz, que afirmam: "Amava os pobres e muitas vezes pagava as suas dividas. Mesmo de noite ia visitar os doentes e procurava animar e consolar os aflitos"

Projeto Futuro e Vida na Pedra do Cão Sentado


       
 
      Aprendemos no Catecismo que a parte inanimada da Obra da Criação tem por finalidade dar glória a Deus simplesmente por sua existência, beleza e esplendor. Fundados nesta afirmação, podemos imaginar quantas e quantas maravilhas foram criadas por Deus e quase exclusivamente para Deus, pois ainda não foram descobertas e apreciadas pelos homens.

 
              Se compararmos estas belezas naturais ainda ocultas para os homens e as que já nos são conhecidas, certamente estas últimas realizam mais a sua finalidade de glorificar o Divino Artífice, pois quando são contempladas pelos homens, estes com mais facilidade se voltam para o Todo-Poderoso com olhar de admiração.

 
             Com o desejo de tornar mais conhecidas aos homens algumas destas maravilhas, os Arautos do Evangelho promoveram uma excursão à pedra do Cão Sentado situada em Nova Friburgo, com as participantes do Projeto Futuro e Vida.

 

              Assim como, na vida, é preciso lutar para conquistar o que se deseja, após árdua, animada e longa subida, chegaram ao tão almejado mirante e passaram lá momentos de intensa alegria e união.

            Tendo tomado um delicioso lanche, brincado e agradecido a Deus uma tão bela vista, desceram a trilha com a certeza de terem passado uma manhã plena de alegria.


terça-feira, 12 de novembro de 2013

Dia de formação para os catequistas da Diocese- Nova Friburgo

 
Nas Sagradas Escrituras encontramos diversas passagens em que o Redentor menciona seu carinho pelas crianças e orienta a imitarmos sua inocência. 
Belíssima missão têm aqueles que formam os pequeninos  na fé e orientam-nos para que num futuro sejam modelos de cristãos em nossa sociedade! Quão grande papel têm nessa função os Catequistas! Na Catequese semeia-se, rega-se, cultiva-se e colhe-se no coração da criança o alimento deixado por Nosso Senhor Jesus Cristo à nossa fé.


Com o intuito de uma melhor formação da equipe de Catequese da diocese, realizou-se neste segundo domingo de novembro um Encontro de Avaliação para Catequistas do Vicariato Sede, na Paróquia da Imaculada Conceição, em Nova Friburgo.


Iniciando as atividades com a Santa Missa, seguiu-se um ameno convívio no salão da Paróquia. As palestras foram conduzidas pelas Irmãs de Belém (Patrícia e Gabriela) e versaram sobre a “Iniciação à Vida Cristã para Crianças”. Na ocasião foi lido o Discurso pronunciado pelo Para Francisco aos Catequistas, de setembro deste ano.

 
Que este dia de formação traga abundantes frutos para o próximo ano, e que o trabalho realizado junto às crianças, jovens e adultos pelos catequistas seja coalhado de graças do Divino Espírito Santo e da Santíssima Virgem.

 
 

 
 

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

A Comunhão Espiritual


 
Quantas vezes o desejo de receber a Eucaristia invade nosso coração em momentos que não nos é possível fazê-lo! Esse anseio era comum na vida de muitos santos e pode ser atendido de forma simples e eficaz: através da Comunhão Espiritual! Leia o texto abaixo e veja quanta riqueza a Igreja nos oferece. 
 
I ‑ SEGUNDO PE. ANTÔNIO ROYO MARIN
 
l ‑ Noção.
Com o nome de Comunhão Espiritual entende‑se o piedoso desejo de receber a Eucaristia quando não se pode recebê‑la sacramentalmente.
“De duas maneiras ‑ adverte São Tomás ‑ pode‑se receber espiritualmente a Cristo. Uma em seu estado natural, e desta maneira a recebem espiritualmente os Anjos, enquanto unidos a Ele pela fruição da caridade perfeita e da clara visão, e não com a fé, como nós estamos unidos aqui (na Terra) a Ele. Este pão esperamos receber, também nós, na glória.
“Outra maneira de recebê‑Lo espiritualmente é enquanto contido sob as espécies sacramentais, crendo n'Ele e desejando recebê‑Lo sacramentalmente. E isto não só é comer espiritualmente a Cristo, mas também receber espiritualmente o sacramento.” (III, 80, 2).
Das palavras finais do Doutor Angélico, deduz‑se que a Comunhão Espiritual nos traz, de certo modo, o fruto espiritual da própria Eucaristia recebida sacramentalmente, ainda que não seja ex opere operato, mas unicamente ex opere operantis.
 
2 ‑ Excelência.
Pela noção que acabamos de dar, já se pode vislumbrar a grande excelência da Comunhão Espiritual. Foi recomendada vivamente pelo Concílio de Trento (D 881) e tem sido praticada por todos os santos com grande proveito espiritual.
Sem dúvida, constitui uma fonte ubérrima de graças para quem a pratique fervorosa e freqüentemente. Mais ainda: pode ocorrer que com uma Comunhão Espiritual muito fervorosa receba‑se maior quantidade de graças do que com uma Comunhão Sacramental recebida com pouca devoção. Com a vantagem de que a Comunhão Sacramental não pode receber‑se mais do que uma só vez por dia, e a Espiritual pode repetir‑se muitas vezes.
 
3 ‑ Modo de fazê‑la.
Não se prescreve nenhuma fórmula determinada nem é preciso recitar nenhuma oração vocal. Basta um ato interior pelo qual se deseje receber a Eucaristia. É conveniente, sem embargo, que abarque três atos distintos, ainda que seja brevissimamente:
a) Um ato de Fé, pelo qual renovamos nossa firme convicção da presença real de Cristo na Eucaristia. É excelente preparação para comungar espiritual ou sacramentalmente.
b) Um ato de desejo de receber sacramentalmente a Cristo e de unir‑se intimamente com Ele. Neste desejo consiste formalmente a Comunhão Espiritual.
c) Uma petição fervorosa, pedindo ao Senhor que nos conceda espiritualmente os mesmos frutos e graças que nos outorgaria a Eucaristia realmente recebida.
 
4 ‑ Advertências.


1) A Comunhão Espiritual ‑ como já dissemos ‑ pode repetir‑se muitas vezes por dia. Pode fazer‑se na igreja ou fora dela, a qualquer hora do dia ou da noite, antes ou depois das refeições.
2) Todos os que não comungam sacramentalmente deveriam fazê‑lo ao menos espiritualmente ao ouvir a santa Missa. O momento mais oportuno é, naturalmente, aquele em que comunga o sacerdote.
3) Os que estão em pecado mortal devem fazer um ato prévio de contrição se querem receber o fruto da Comunhão Espiritual. Do contrário, para nada lhes aproveitaria, e seria até uma irreverência, se bem que não um sacrilégio.
 
(Pe. Antonio Royo Marin OP, Teología Moral para Seglares ‑ Los Sacramentos, BAC, Madrid, 1984, pp. 245 a 247. Com licencia del Arzobispado de Madrid‑Alcalá, 3/2/1984.)

 


 
II ‑ SEGUNDO SANTO AFONSO MARIA DE LIGÓRIO

 
 
Como, em cada uma das visitas ao Santíssimo Sacramento que vêm a seguir, recomendamos a Comunhão Espiritual, é bom explicar no que consiste e quais são suas vantagens. A Comunhão Espiritual consiste, segundo São Tomás (P. 3, q. 80, a. 1), num desejo ardente de receber a Jesus Cristo sacramentalmente, e numa adesão amorosa como se já O tivéssemos recebido.
Santo Afonso Maria de Ligório
Que este exercício seja agradável a Deus, e que venham dele grandes graças, o mesmo Senhor deu a entender a sua serva fiel, a irmã Paula Maresca, fundadora do mosteiro de Santa Catarina de Siena, em Nápoles. Ele a fez ver, segundo é relatado na vida dela, dois vasos preciosos, um de ouro e outro de prata, dizendo‑lhe que Ele guardava no vaso de ouro suas Comunhões Sacramentais e no vaso de prata suas Comunhões Espirituais. Também disse o Senhor à Bem‑aventurada Joana da Cruz, que cada vez que ela comungava espiritualmente, recebia uma graça semelhante à de uma Comunhão real. Quanto ao resto, basta saber que o Concílio de Trento (sess. 13, cap. 8) louva a Comunhão Espiritual, e exorta aos fiéis a praticá‑la.
Assim, todas as almas piedosas têm o costume de repetir freqüentemente este santo exercício da Comunhão Espiritual: a Bem‑aventurada Augusta da Cruz fazia duzentas por dia. O padre Pedro Lefebvre, primeiro companheiro de Santo Inácio, dizia que a Comunhão Espiritual ajuda muito a bem fazer a Comunhão Sacramental.
Exortamos a quem quiser avançar no amor de Jesus Cristo, a fazer a Comunhão Espiritual ao menos uma vez em cada visita ao Santíssimo Sacramento e em cada Missa a que ele assiste; melhor seria repeti‑la três vezes em cada uma dessas ocasiões, no começo, no meio, e no fim. É uma devoção muito mais proveitosa do que alguns imaginam; e de outro lado, é tão fácil: a mesma Bem‑aventurada Joana da Cruz dizia que é possível comungar espiritualmente sem que ninguém perceba, sem que seja preciso estar em jejum (...) e pode ser feita a qualquer hora: basta um ato de amor.
(Santo Afonso Maria de Ligório, “Visites au Saint Sacrament et à la Sainte Vierge”, in Oeuvres Complètes, t. VI, Tournai, 1882, pp. 113‑114, Imprimatur : A. P. V. Descamps, Vic. Gen. Tornaci, 15/8/1860.)

                                                                   * * *


ORAÇÃO:

 

 

Comunhão Espiritual
                   Ó meu Jesus, creio firmemente que estais presente em Corpo, Sangue, Alma e Divindade no Santíssimo Sacramento do Altar. Creio porque Vós o dissestes, e espero de Vossa infinita Bondade todos os bens e graças que generosamente dais aos que vos recebem com viva fé e inteira confiança.
                   Adoro-Vos, Senhor, na Sagrada Hóstia. Senhor, eu não sou digno de que entreis em minha casa, mas dizei uma só palavra e minha alma será salva. Uma vez que atendeste a meu pedido e viestes a mim, tomai inteira conta e posse de mim. Eu vos abraço Senhor, e vos imploro: nunca mais me abandoneis e não permitais que eu vos abandone! Se necessário for, tirai-me a vida, mas pecar para vos ofender, eu não quero jamais! Eu ofereço esta comunhão na intenção de...
 

 
Adendo:

Santo Cura d'Ars: “A Comunhão Espiritual faz à alma, como um sopro sobre o fogo coberto de cinzas e prestes a extinguir-se". "Quando sentirmos enfraquecer o amor de Deus no nosso coração, corramos à Comunhão Espiritual”.

           

Santa Teresa: “Se nos unirmos pelo desejo à Eucaristia que é o foco do amor, é suficiente alguns instantes para possuirmos um calor divino, que pode durar várias horas.”(citações extraídas do livro “A Vida Interior”, do Pe. Léon Dehon S.C.J, Editora S.C.J., Taubaté‑SP, com Imprimatur do Sr. Bispo Diocesano de Taubaté, em 16 de abril de 1946).
 
 
 

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Fábula: A Haste da Cruz



Conta‑nos uma lenda que um homem a quem cumpria fazer grande jornada, deram a carregar pesada cruz, dizendo‑lhe que ela o levaria à salvação.

Tendo feito pequena parte do trajeto, vencido e desanimado pelo cansaço, deliberou ele cortar um pedaço da longa haste de sua carga.

Mais aligeirado pôs‑se de novo, a caminho, e jornadeou até o ponto em que a estrada subia por uma encosta longa e pedregosa. Ali sentiu que se lhe agradava o peso da cruz. Doíam‑lhe os ombros, tinha as pernas trôpegas, arfava e transudava.

Na irreflexão da impaciência, põe por terra o seu fardo e outra vez o mutila em sua haste.

Parte. Alcança o sopé do outeiro e se vê às margens de um rio sem ponte.

Só então observou que outros viajantes ali chegados levavam, também, pesadas cruzes de longas hastes e mais resistentes e tolerantes, conservaram‑se intactas.

Estes as estenderam de margem a margem e fazendo‑as de pontilhões, atingiram o lado oposto e lá se foram.

O que, porém, encurtara a haste de sua cruz viu, desde logo, que ela não lhe poderia prestar o mesmo auxílio. Tentando meter‑se pelo rio a dentro, desapareceu levado pelos redemoinhos da correnteza.

É límpida a lição da fábula. Todos os que vivemos a cortar, com golpes arbitrários, em nossos deveres e obrigações para com Deus, podemos levar, por algum tempo, vida mundanamente fácil mas sempre enganosa. O dia chegará em que seremos vítimas das mutilações feitas na haste da fossa cruz.




Lendas do Céu e da terra
Malba Tahan
Ed. Borgoi
São Paulo ‑ SP

As indulgências


Nem todos os católicos conhecem a fundo essa obra-prima dos cuidados maternais da Igreja para cada um de seus filhos.

 
            Jubilosa e encantada, Santa Teresa, a Grande, viu certo dia subir radiante para o Céu a alma de uma religiosa que acabara de falecer. E ficou surpresa com o fato, por tratar-se de uma freira de vida muito simples. Depois, em um de seus colóquios com Nosso Senhor Jesus Cristo, Ele explicou-lhe o motivo desse privilégio: “Ela sempre teve grande confiança nas indulgências concedidas pela Igreja; e sempre se esforçou para ganhar o maior número possível delas”.
            Sempre se esforçou para ganhar o maior número possível de indulgências... por isto foi para o Céu, logo após a morte, sem passar pelo terrível fogo do Purgatório!
            Não é isto o que todos nós também queremos? Pois, então, imitemos o exemplo dessa boa religiosa.
 
 
A pena temporal
 
            Todos os homens, nesta vida terrena, cometem pecados. “Se dizemos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e a verdade não está em nós”, diz o Apóstolo São João (1Jo 1,8). Portanto, todos têm penas a pagar, neste mundo ou após a morte.
            Quando o pecado é mortal, a pena devida é a condenação eterna ao fogo do inferno. A Confissão bem feita não só apaga a grave ofensa feita a Deus, mas também livra o pecador da pena eterna.
            Não o livra, porém da pena temporal. Ele deverá fazer uma expiação para purificar sua alma das sequelas do pecado, reparar pela glória de Deus ofendida, restaurar os danos causados à sociedade e à integridade da ordem universal.
            Dá-se a essa expiação o nome de pena temporal, porque ela é limitada por um tempo, ou seja, não é eterna. O pecador a cumprirá, ou voluntariamente nesta terra, por penitências e boas obras, ou pelos sofrimentos purificadores do Purgatório, fixados para cada alma segundo a justíssima e santíssima Sabedoria divina.
 
 
Perdão da pena temporal
 
            Aqui entra a importância das indulgências. Elas redimem, isto é, apagam a pena temporal devida pelos pecados mortais já perdoados na Confissão, e pelos pecados veniais. O homem que morre em estado de graça e tenha recebido uma indulgência plenária, vai diretamente para o Céu, sem passar pelo Purgatório.
            Elas constituem, pois, um dom de Deus, pelo qual Ele manifesta a plenitude de sua misericórdia. Basta estarmos em estado de graça, para a Igreja, nossa Mãe, confiar-nos esta chave do seu tesouro, chamada indulgência. Com ela, podemos, por assim dizer, “sacar” nos depósitos dos méritos infinitos de Jesus Cristo — aos quais se acrescem os da Santíssima Virgem e os de todos os Santos — para quitarmos não só nossas próprias dívidas para com Deus, como também as das almas do Purgatório.
            Há duas categorias de indulgências: a plenária redime a totalidade das penas temporais devidas por uma alma; a parcial redime apenas parte dessas penas.
            Qual o tamanho dessa parte? Depende da piedade de cada alma em questão. Eis o que diz o Manual das Indulgências, publicado pela CNBB: “O fiel que, ao menos com o coração contrito, faz uma obra enriquecida de indulgência parcial, com o auxílio da Igreja, alcança o perdão da pena temporal, no mesmo valor ao que ele próprio já ganha com sua ação”. Ou seja, em outros termos, quando alguém pratica um ato piedoso ou reza uma oração, Deus lhe concede a remissão de uma certa parte de suas penas temporais. Se esse ato ou essa oração é enriquecido pela Igreja de indulgência parcial, Deus dobra o valor da remissão concedida.
            Então, quanto mais fervor houver na oração, maior será a parte da pena redimida.
 
Cuidados maternais da Igreja
 
            Pondo à disposição dos fiéis o tesouro inexaurível das indulgências, a Santa Igreja tem por objetivo facilitar a todos a entrada no Reino dos Céus, para viverem eternamente felizes, no convívio com a Virgem Maria, os Anjos e Santos.
            E ela faz isso com zelo materno e sabedoria divina. Pois, por um lado, nos oferece inúmeros recursos para diminuir o prazo da pena temporal. Por outro lado, ela leva os fiéis a, para obter as indulgências, praticar atos de Fé, Esperança e Caridade, rezar, frequentar os Sacramentos, socorrer os carentes e necessitados de bens materiais e espirituais.
            Todas essas são obras pelas quais o homem avança na via da santificação pessoal e ajunta para si um tesouro no Céu. Assim, as indulgências são uma obra-prima dos cuidados maternais da Igreja para todos os seus filhos.
            Que cada um saiba tirar desse carinho de mãe todo o proveito para sua própria salvação e a de seus entes queridos!
            E também para nossos irmãos da Igreja Padecente. Qualquer indulgência pode ser aplicada em benefício das almas do Purgatório. E, ninguém pratica a virtude da gratidão como elas.
            Se rezamos ou fazemos sacrifícios por essas almas, depois elas intercedem por nós com especial empenho junto a Deus.
 
Condições para ganhar indulgências
 
            Para alguém ser capaz de lucrar qualquer indulgência — plenária ou parcial — é indispensável ser batizado, não estar excomungado, e encontrar-se em estado de graça.
            Precisa também ter intenção, ao menos genérica, de ganhá-la, e deve praticar o ato prescrito para tal.
            Mãe extremamente dadivosa, a Santa Igreja põe à disposição dos fiéis um grande número de atos enriquecidos de indulgência, tanto plenária quanto parcial. Abaixo, estão relacionados os mais comuns, aqueles mais fáceis de praticar no dia-a-dia de qualquer pessoa. O leitor que desejar a relação completa pode consultar o Manual das Indulgências, à venda nas livrarias católicas.
 
 
Plenária
 
            Pode-se ganhá-la apenas uma vez em cada dia; só em artigo de morte é possível lucrar mais uma no mesmo dia.
            Para receber uma indulgência plenária, é preciso, além das condições gerais mencionadas acima, confessar-se, comungar e rezar nas intenções do Sumo Pontífice.
            Uma confissão vale para várias indulgências, cada comunhão vale apenas para uma. Convém que a comunhão e a oração sejam no mesmo dia, mas podem ser em dias diferentes, tanto antes quanto depois da execução da obra prescrita.
            São as seguintes as “obras prescritas” mais comuns:
1 – Adoração ao Santíssimo Sacramento, de pelo menos meia hora.
2 – Leitura espiritual da Sagrada Escritura, pelo menos por meia hora.
3 – Exercício da Via-Sacra, quando feito piedosamente, percorrendo as 14 estações do caminho do Calvário legitimamente eretas.
4 – Recitação do Rosário de Nossa Senhora na igreja, no oratório, na família, na comunidade religiosa ou numa piedosa associação.
5 – Receber com piedade e devoção a bênção dada pelo Sumo Pontífice a Roma e ao mundo; é válida a bênção recebida por rádio ou televisão.
            Além desses, há mais de vinte outros atos enriquecidos com indulgência plenária, quando praticados em determinados dias ou circunstâncias. Por exemplo, dia de Finados, na primeira Missa de um sacerdote, etc.
 
 
Parcial
 
 
            Dentro das condições gerais descritas acima, o fiel lucrará indulgência parcial toda vez que, estando ao menos de coração contrito, rezar a oração ou executar a ação indulgenciada.
            Pode-se, portanto, lucrá-la um número indeterminado de vezes ao dia, dependendo apenas do empenho de cada fiel.
Ganha indulgência parcial:
1 – Quem, no cumprimento de seus deveres e na tolerância das aflições da vida, ergue o espírito a Deus com humilde confiança e faz uma piedosa invocação, mesmo que brevíssima e só em pensamento. Por exemplo: “Creio” — “Meu Deus!” — “Confio em Vós”. Qualquer um que esteja “no cumprimento do dever e na tolerância das aflições da vida” pode repetir uma invocação dessas mais de mil vezes num só dia!
2 – Quem, levado pelo espírito de fé, e com o coração misericordioso, faz um sacrifício no serviço dos irmãos que sofrem falta do necessário. Assim, dar alimento ou roupa a um pobre, visitar um doente, consolar os que sofrem, ensinar alguém a rezar, reconduzir às atividades paroquiais algum católico não-praticante — todos esses atos são exemplos de boa obra no serviço dos irmãos necessitados.
3 – Quem se abstém de coisa lícita e agradável, em espírito espontâneo de penitência. Podem ser atos simples, como deixar de comer uma fruta, etc.
4 – Há também um grande número de orações e atos enriquecidos com indulgência parcial: todas as ladainhas aprovadas pela autoridade competente, o Creio em Deus, o Magnificat, a Salve Rainha, o Lembrai-Vos, o Salmo 50 (Senhor, tem piedade), o sinal da cruz, a comunhão espiritual, etc.
            Lucra ainda indulgência parcial o fiel que usa objetos de piedade (rosário, crucifixo, escapulário, medalha) bentos por qualquer sacerdote ou diácono.
 

 

 

Severiano Antonio de Oliveira