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terça-feira, 31 de março de 2015

Você Sabia?... Qual foi o primeiro santo canonizado?

Ensina-nos a mineralogia que os mais puros cristais se formam pelo esfriamento de rochas em estado líquido. As temperaturas necessárias para fundi-las são elevadíssimas, como as existentes nos vulcões e no magma do interior da terra. Quanto mais longo for o tempo de esfriamento, e maior a tranquilidade desse processo, maiores e mais perfeitos serão os cristais.
O mesmo acontece com as instituições da Igreja: a Liturgia, a hierarquia eclesiástica, o Código de Direito Canônico, as manifestações artísticas, enfim, as maravilhas que conhecemos e deslumbram o mundo hoje em dia.
Nosso Senhor não fundou uma Igreja já perfeita e acabada, mas quis deixar essa tarefa de elaboração das instituições aos seus futuros membros, os quais com serenidade, paciência e sabedoria, iriam cristalizando ao longo dos séculos a maravilhosa e ardente doutrina que nos deixou o Filho de Deus.
Uma dessas instituições, que demorou nove séculos em produzir um dos melhores diamantes espirituais da Igreja, é a das canonizações: o primeiro homem oficialmente elevado à honra dos altares foi Santo Ulrico, Bispo de Augsburgo, na atual Baviera, Alemanha, no século X.
Santo Ulrico
Isto não significa que não tenha havido santos na Igreja nos séculos precedentes. Houve sim, mas não passaram por um processo formal, segundo regras definidas pela Santa Sé. Até então, os santos eram aclamados pelo entusiasmo popular, a vox populi; enquanto hoje, a fama de santidade de um católico leva apenas a que se inicie o seu processo de canonização.
Com a expansão da Igreja, os Bispos, paulatinamente e visando evitar abusos, reservaram-se o direito de propor à devoção pública um determinado fiel, mas faziam-no sempre como  consequência de um primeiro movimento proveniente dos fiéis.
Na época das perseguições, costumava-se celebrar a Eucaristia nos túmulos dos cristãos  falecidos, no aniversário de sua morte. Isso não despertava suspeitas das autoridades perseguidoras, pois os romanos tinham o costume de realizar uma refeição na tumba de seus familiares; e as primeiras liturgias cristãs eram uma imitação muito próxima do acontecido na Última Ceia: não havia ainda um rito estabelecido, paramentos litúrgicos, vasos sagrados, nem a maior parte dos ornamentos usados hoje em dia para estimular nossa devoção e mostrar a devida reverência ao ato sagrado. Nem sequer existiam igrejas.
Assim, pois, esse costume foi se generalizando, e em tempos posteriores às perseguições não era raro celebrar-se com pompa a Eucaristia nos túmulos dos familiares. Santo Agostinho, por exemplo, narra nas Confissões a Eucaristia celebrada na sepultura de sua mãe, Santa Mônica.
Posteriormente, com as migrações e invasões bárbaras, foram sendo removidos e enterrados nas igrejas, para protegê-los contra saques e profanações, os ossos, ou seja, as “relíquias” (do latim, relinquere, deixar para trás) dos mártires, que haviam edificado particularmente os fiéis por sua morte exemplar. No decorrer do tempo, quis-se enterrar nas igrejas também os restos mortais de pessoas dignas de veneração por suas virtudes e exemplo de vida: santos não mártires, como se diz hoje em dia.
Com o aumento do número de “santos”, a Igreja foi estabelecendo os critérios necessários para proclamar a santidade de uma pessoa. E o primeiro em cumpri-los foi Santo Ulrico, canonizado em 3 de fevereiro de 993 pelo Papa João XV. Perdeu-se a bula de canonização, mas sabe-se de sua existência mediante transcrições posteriores e menções em outros  documentos.
Desde então, fizeram-se vários aperfeiçoamentos e modificações no processo, mas os fundamentos estavam lançados.

Fonte: Revista Arautos do Evangelho



terça-feira, 4 de novembro de 2014

Hagiografia: São Crisanto e Santa Dária



               Certamente ao correr os olhos sobre o nome destes insignes santos — São Crisanto e Santa Dária —, muitos, surpresos por desconhecer tais personagens, devem se perguntar: “quem são?”, “o que fizeram?”, “em que época viveram?”. Entretanto, inúmeros são os santos ignorados por nós católicos, uma vez que são tão numerosos, principalmente os procedentes dos primeiros anos do cristianismo.
 Referimo-nos a dois santos mártires, cuja festa celebra-se no dia 25 de outubro. Crisanto, proveniente de família pagã, havia se convertido ao cristianismo a contragosto de seu pai, que, furioso, procurou dissuadi-lo de suas convicções cristãs colocando-o diante de ocasiões que o levassem a pecar e abandonar o cristianismo. Porém, inúteis foram os esforços, paternos, pois ele não só se fortalecia diante de tais provas, mas confirmava sua fé diante dos prodígios divinos.
 Em certa ocasião, seu pai enviara mulheres para que o tentassem... Entretanto, Deus mandou a elas um sono tão profundo, que não tinham forças sequer para se alimentar.  Em outra circunstância, Dária — virgem sábia e consagrada à deusa Vesta — fora convencê-lo  a que adorasse aos deuses; porém, ele não só tornou vã suas tentativas, mas através de seus firmes argumentos converteu sua interlocutora, a ponto de unir-se a ela em matrimônio, consagrando os dois sua virgindade a Deus.
Contudo, estes dois cristãos unidos pela fé, após serem perseguidos e defendidos pelos auxílios divinos — como Dária que, diante de homens que lhe queriam fazer mal foi protegida por um leão; e Crisanto que, diante dos piores suplícios, não fora atingido por dor alguma — foram jogados em um fosso e esmagados por terras e pedras, sendo martirizados no ano 211 do Senhor. 

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Conheça a história de uma jovem que desde a infância optou pelo caminho do Céu

Bem-aventurada Dina-Bélanger
04 de setembro
 
Após a Encarnação do Filho de Deus, muitas almas generosas buscaram a sublime forma de união com Jesus Cristo que consiste em procurar viver nEle para que Ele viva em nós (cf. Jo 15, 4). São Paulo, o Apóstolo dos Gentios, que convivera durante três anos com Nosso Senhor, levou essa devoção a um grau tão perfeito que pôde afirmar: “Eu vivo, mas já não sou eu, é Cristo que vive em mim” (Gal 2, 20).
Hagiografia
 
“Jesus e eu não somos mais dois. Somos um: somente Jesus. Ele faz uso das minhas faculdades,
dos meus sentidos, dos meus membros”
Dina Bélanger, aos 14 anos de idade
Já no século XIX, um advogado de Lyon, regressando de Ars, na França, após ter ouvido apenas um sermão de São João Maria Vianney, deu testemunho da união do humilde pároco com Cristo usando expressivas palavras: “Vi Deus num homem!”.
E no início do século passado, uma alma de escol, Maria Margarida Dina Adelaide Bélanger — a primeira canadense da cidade de Quebec a ser proclamada bem-aventurada pela Igreja — procurava descrever sua disposição interior dizendo: “Jesus e eu não somos mais dois. Somos um: somente Jesus. Ele faz uso das minhas faculdades, dos meus sentidos, dos meus membros. É Ele quem pensa, age, reza, olha, fala, anda, escreve, ensina: numa palavra é Ele quem vive...”.1
Dina almejou intensamente essa união. Conhecer em profundidade a Beata Dina Bélanger é, pois, descortinar novos aspectos de Cristo Jesus. Nesse íntimo convívio da criatura com o Criador, Dina desaparece e Ele refulge em toda a Sua glória. Ela passa a ser como um abajur que difunde discreta e suavemente a luz de Cristo, ou como um vitral que a tamisa e reveste de cores belamente adaptadas para a sensibilidade humana. “Meu dever agora, e minha ocupação na eternidade, até o fim dos tempos, é e será o de irradiar Jesus para todas as almas, por meio da Santíssima Virgem”.
A tal ponto ela se tornou uma com Cristo, que Ele próprio, a chamou afetuosamente de “Meu pequeno Eu mesmo”.
Jesus quer sua Autobiografia
Dina teria passado despercebida se sua superiora não tivesse discernido os favores de Deus para com ela. “Você deve escrever a sua vida, minha querida irmã”, disse-lhe. É por isso que temos sua Autobiografia, “uma das mais perfeitas joias da literatura espiritual do século XX”, segundo o teólogo carmelita, padre François-Marie Léthel.
Para Dina, escrever sobre si própria constituía um verdadeiro ato de heroísmo: “Falar  continuamente de mim mesma, e repetir o pronome ‘eu’, que preferiria ver abolido para sempre... Oh!”. Mas obedeceu, a ponto de encher com sua esmerada caligrafia vários cadernos que a superiora guardava cuidadosamente.
Certa vez, Nosso Senhor lhe confidenciou: “Você fará bem por meio de seus escritos”. E assim foi. Dina falava com Cristo com familiaridade, e ao anotar Suas sagradas palavras não o fazia visando apenas o próprio benefício, mas também o dos sacerdotes, dos religiosos e de toda a humanidade.
A infância de Dina Bélanger
Os primeiros anos de Dina se desenrolaram na atmosfera tranquila de uma família franco-canadense de muita fé. Nasceu no distrito de Saint-Roch, da cidade de Quebec, e foi batizada no próprio dia de seu nascimento, a 30 de abril de 1897, com o nome de Maria Margarida Dina Adelaide.
Seu único irmão morreu aos três meses de idade. A partir desse momento, seus pais  concentraram nela todo o seu afeto e cuidados. Sobre esse período de sua vida, Dina escreveu: “O que teria sido de mim se tivesse sido deixada à mercê do meu orgulho, minha obstinação, meus caprichos e minhas traquinagens injustificáveis?”.
Serafina, sua mãe, levava-a sempre à igreja e em suas visitas aos pobres. Ela gostava muito de cantar para a filha, o que levou a menina, naturalmente dotada de senso artístico, a ter paixão pela música.
O pai, Otávio, era contabilista. Talvez tenha sido dele que Dina herdou sua precisão ao expressar-se e a forma metódica de cumprir seus deveres.
Resoluções e metas de vida
Ao longo de sua vida, Dina tomou numerosas resoluções e as cumpriu eximiamente. Quando era estudante, proclamou: “Prefiro a morte a corromper- me”. No postulado, sua meta foi: “Se começar, comece com perfeição”. E na vida religiosa visava “amar e sofrer”. Como fizera Teresa de Lisieux, poucos anos antes, ela tomou a firme resolução de ser “uma santa”. E, para guiar-se nesse caminho, adaptou o princípio de Santo Agostinho ama et quod vis fac (ama e faze o que queres), transformando- o no lema que caracterizou toda a sua espiritualidade: “Amar e deixar- se conduzir por Jesus e Maria”.
Com efeito, foi pelas mãos da Virgem Santíssima que aos 13 anos consagrou-se a Jesus Cristo como escrava de amor, segundo o método ensinado por São Luís Maria Grignion de Montfort.
Na oração inicial de sua Autobiografia, ela agradece a Nosso Senhor tudo quanto Ele lhe concedeu por meio de Sua Mãe Santíssima: “Sem exceção alguma, Vós me concedestes vossas graças por meio de Maria, Vossa e minha bondosa Mãe, a quem quero tanto! E é meu desejo constante deixá-La agir livremente em minha vida, para promover Vossa obra em mim”.
Lutas de alma e oferecimento como vítima
Quando chegou o tempo dos estudos, Dina entrou para o Colégio Bellevue, um internato religioso dirigido pelas irmãs de Notre Dame, no qual sua primeira oração a Jesus foi: “Que eu nunca Vos ofenda nem com o menor pecado venial voluntário, durante minha permanência aqui”. Lá começaram as lutas que, devido à sua índole tímida e reservada, teria de travar durante toda sua vida. “Eu procurava sorrir para todo mundo, mas quanto preferiria estar sozinha!” Por ocasião de uma visita da mãe, ela lhe confidenciou essa dificuldade: “Mamãe, não é brincadeira viver com outras pessoas!”.
Dina conta com toda simplicidade que na primeira sexta-feira do mês de outubro de 1911,  enquanto as estudantes se dirigiam à capela para fazer uma visita ao Santíssimo Sacramento, ela consagrou sua virgindade a Nosso Senhor. Foi também por essa época que se ofereceu como vítima de amor: “Mal ouvira falar dessa doação de si mesmo, conhecida como o oferecimento heroico, eu já me ofereci; abandonei-me inteiramenteà vontade de Jesus, como sua vítima”. Inflamada pelo desejo de entregar a vida, estava certa de que lhe seria dada a graça do martírio do amor.
Ainda naquela época, antes de tornar-se religiosa, adotou uma “regra de vida”, com hora certa para as orações matutina e vespertina, comunhão, rosário, meditação e confissão semanal. E deixou ao Divino Artesão de sua alma a tarefa de guiá-la em segredo.
Assim que soube do início da 1ª Guerra Mundial, em 1914, ofereceu-se uma vez mais a Nosso Senhor, de corpo e alma, em espírito de reparação e de amor: “Fiquei aflita, sobretudo, pelo perigo moral que ameaçava o mundo”.
Estudos em Nova York
Depois de ter terminado os estudos no internato, já com 16 anos, voltou a viver em sua casa.  Seus pais decidiram que deveria continuar com o estudo da música, que iniciara em pequena. Esta arte lhe aproximava de Deus e oferecia-Lhe cada uma de suas notas ao piano como um ato de amor, constituindo para ela uma verdadeira oração, pois seu coração pertencia somente a Deus.
Alguns meses mais tarde, pediu ao diretor espiritual para entrar no convento das Irmãs de Notre Dame, de Villa-Maria, mas foi aconselhada a adiar sua decisão pela negativa dos pais. Cumpria as obrigações sociais com dignidade, dava concertos, apesar destes lhe custarem um esforço enorme, e chegou a ser uma pianista de certo renome. Sempre teve um verdadeiro amor ao próximo, sendo muito sensível à cortesia e ao bom trato. Mas no fundo sempre  pensava em seu desejo de ser religiosa. Surgiu- lhe, então, uma boa oportunidade de aperfeiçoar, num Conservatório de Nova York, seus estudos de piano, harmonia e composição. A oferta era tentadora: “Gostei do plano, pois apreciava apaixonadamente a arte e a beleza.E sempre almejei a perfeição.”
Seus pais duvidaram, mas aconselhados pelo pároco que insistia nisso consentiram, pensando que seria uma boa experiência para sua formação e, de 1916 a 1918, ela estudou nos Estados Unidos. Sendo do Canadá francês, teve dificuldades para se comunicar em inglês, mas encontrou conforto na música, já que o piano tem o mesmo som em qualquer país... Vivia na residência Nossa Senhora da Paz, dirigida pelas religiosas de Jesus-Maria, e estudava bastante no Conservatório, sentindo forte atração pela harmonia musical, matéria que mais gostava. Ao término dessa experiência em Nova York, seu relacionamento com Nosso Senhor tinha-se aprofundado e sua consciência permanecia sem mancha alguma: “Tive de seguir a moda e seus caprichos no que dizia respeito às cores e tecidos, mas evitei vigorosamente as suas exigências extravagantes e culposas”.
 
As ruas da cidade de Quebec conservam ainda hoje, em boa medida, o aspecto da época em que viveu Dina Bélanger
Caminho de perfeição e vida religiosa
Quando Dina retornou de Nova York, contava com 21 anos. Nos quatro anos que transcorreram até sua entrada na vida religiosa, em 1921, os quais passou na casa de seus pais, rezou muito e passou por tremendas aridezes de alma.
Continuou um curso de harmonia por correspondência no Conservatório de Nova York e seguia com os concertos musicais. Gostava muito da música. Mas a vida contemplativa lhe encantava e esse contraste da vida do mundo com suas aspirações lhe provavam a alma. Às vezes podia ouvir a voz de Cristo no fundo do seu coração, mas ficava incerta, com receio de estar sendo vítima de alguma ilusão; depois, porém, se tranquilizava: “Eu notava que Jesus só me falava ao coração quando tudo estava absolutamente calmo”. Em uma ocasião, Nosso Senhor mostrou-lhe um caminho cheio de espinhos pelo qual Ele tinha passado, manifestando o desejo de que ela O seguisse. Para ajudá-la, deu-lhe Sua Mãe Santíssima.
Quando soube que Santa Margarida Maria havia feito um voto de perfeição, Dina imediatamente tomou a resolução de fazer em todas as ocasiões o que era o mais perfeito, embora não tivesse autorização para se obrigar por um voto formal. “Parecia-me que fazer algo menos perfeito seria sinal de um amor tíbio”, escreveu ela.
Diante da dúvida sobre qual comunidade religiosa deveria escolher, o próprio Jesus lhe comunicou: “Quero que você entre na Congregação das Religiosas de Jesus e Maria”. Tinha sido fundada na França, em 1818, por Santa Claudine Thévenet, dedicada à educação das jovens. Ali foi recebida como noviça em 15 de fevereiro de 1922, adotando o nome de Maria Santa Cecília de Roma. Em 15 de agosto de 1923 fez a profissão religiosa, recebendo a incumbência de ensinar a arte musical para as alunas da Congregação.
“Minha ocupação na eternidade, até o fim dos tempos, é e será o de irradiar Jesus para todas as almas,
por meio da Santíssima Virgem”
Grandes experiências místicas
Antes de entrar na plena alegria da união com Cristo, nos albores da sua vocação, ela tinha sentido o tormento da “noite escura da alma”. Entretanto, nesse período de provações fortaleceu-se sua vocação e recebeu diversas graças, entre as quais a de um rompimento tão profundo com seu passado, que ela se sentia como se tivesse morrido e nascido novamente.
Nos primeiros tempos de sua vida de religiosa, Dina recebeu por duas vezes uma singular graça de amor: numa experiência mística, ela “viu” Jesus levar seu coração e deixar o dEle em seu lugar. Depois, já professa, ela “viu” mais uma vez Jesus mostrar-lhe seu coração, que Ele havia levado para Si, queimá-lo todo no altar de Seu amor, bem como ela mesma, e soprar sobre as cinzas, fazendo- as desaparecer, e ficando Ele próprio em seu lugar.
Jesus avisou-lhe ainda que ela morreria em 15 de agosto de 1924, exatamente um ano depois de sua profissão. Quando chegou esse dia, ela não morreu fisicamente, mas Ele deu- lhe a entender que misticamente havia morrido para este mundo e sua união eterna com Ele tinha começado.
Em 3 de outubro desse mesmo ano, foi-lhe permitido fazer o tão almejado voto de perfeição. Numa linda formulação, prometeu a Jesus fazer, em qualquer circunstância, tudo do modo mais perfeito, nos pensamentos, desejos, palavras e ações. Ela se entregou a Deus com confiança e com plena consciência de sua própria fragilidade.
É Cristo que vive e fala em Dina
Depois dessa data, tendo Dina “desaparecido”, é somente a voz de Cristo que domina sua autobiografia. Ele lhe fala com uma ternura tocante e nela encontra a maior receptividade possível. Certo dia, na festa do Nome de Jesus — que ela considerava a sua festa, uma vez que tinha sido substituída por Cristo — escrevia: “Desde o meio-dia, o meu doce Mestre me tem atraído a Si com uma ternura inefável... Depois do meu exame de consciência, notei que estava gozando da presença sensível de Jesus. E Ele me disse delicadamente: ‘Em honra da minha festa!’ Oh! Quanto eu gostaria poder pôr em palavras a doçura de Jesus!”.
Muitas vezes, antes de entregar-lhe Seu cálice ou Sua cruz, para que ela sofresse com Ele,  pedia o consentimento dela com Sua costumeira gentileza: “Aceita?”. De um modo que a deixava sem palavras de tanto amor: “O sofrimento de meu Coração é o martírio do amor; e é isto, minha pequena esposa, que estou lhe dando”.
Jesus falava-lhe da necessidade de que seus sacerdotes tenham uma perfeita vida interior: “Meus sacerdotes... Oh! Quanto os quero! Eu os chamo a serem outros Cristos, a serem  réplicas minhas. [...] Ofereça a meu Pai, por meus sacerdotes, o espírito de oração do Meu Coração, o Meu espírito de oração, a perfeita união do meu Coração com Ele. Isto é o que falta à maioria dos meus sacerdotes: espírito de oração e uma intensa vida interior. [...] Demasiados religiosos e almas sacerdotais não compreendem que os sacrifícios que lhes peço são chamas de amor que vão se desprendendo de meu Divino Coração para os arrastar e santificar seu humano coração”.
Pela pena de Dina, Jesus se manifestavaà humanidade, esquecida de seu amor: “Meu Coração está tão transbordante de amor pelas almas que já não consegue mais segurar as torrentes de graças que Eu gostaria de derramar sobre elas: mas a maioria das almas não quer ter nada a ver com o meu amor...”.
“As almas ficam tristes na medida em que se distanciam de Deus. O grande desejo do meu Pai, e o meu, é de ver todas as almas felizes, ainda nesta terra”.
Um cântico de amor
Dina faleceu no dia 4 de setembro de 1929, apenas sete meses antes de completar a “idade perfeita”, em que Cristo entregou Sua vida por nós na Cruz: 33 anos. Nos sofrimentos da enfermidade que a levou à morte — a tuberculose —, Jesus aceitou seu oferecimento como vítima, colhendo- a em tão jovem idade.
Em seus últimos escritos, de julho de 1929, num “cântico de amor”, Nosso Senhor abraça, por meio dela, a humanidade inteira:
“Nenhuma invocação responde melhor do que esta ao imenso desejo de meu Coração Eucarístico de reinar nas almas: ‘Coração Eucarístico de Jesus, venha o Vosso reino, pelo Imaculado Coração de Maria’. E ao meu infinito desejo de comunicar minhas graças às almas, nenhuma invocação responde melhor do que esta: ‘Coração Eucarístico de Jesus, abrasado de amor por nós, abrasai nossos corações de amor a Vós’”.
 
Elizabeth Veronica Mc Donald
Revista Arautos do Evangelho, setembro de 2009
 
* * *
 
A Irmã Maria Santa Cecília de Roma foi beatificada em 20 de março de 1993, por João Paulo II, e seus restos mortais repousam na nova capela da comunidade de Sillery, em Quebec.

 1 Todas as citações em itálico, entre aspas, foram extraídas de BÉLANGER, Dina. Autobiography. Edition revised and update. 3a. ed. Atelier Rouge: Quebec, 1997.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Santa Maria Madalena - Um exemplo de que o amor a Deus restaura TUDO


Para o amor de Deus, nada é impossível. E, no entardecer da vida, seremos julgados segundo o amor. Os Evangelhos nos contam a história de Madalena. Uma pecadora
que tanto admirou e amou Nosso Senhor Jesus Cristo que não só foi perdoada mas
que dela disse o Senhor: "em toda parte será contado em sua
memória o que ela fez". (Mat. 26, 13)
 

Dia 22 de julho a Igreja comemora a memória de Santa Maria Madalena.
Quem ouve o nome "Maria Madalena", na maioria das vezes, lembra-se da mulher pecadora e de má vida do Evangelho. Poucos se recordam que dela foram tirados sete demônios (Luc. 8,2) e que ela foi perdoada de seus numerosos pecados (Luc. 7,47- Mar. 16,9).

Muitos ignoram que ela arrependeu-se do mal que praticou. Esquecem que ela viveu uma vida de penitente, que foi uma grande Santa. E que santificou-se por amar intensamente a Deus.  Ninguém comenta que foi a propósito dela que Nosso Senhor disse: "Em verdade vos digo: em toda parte onde for pregado este Evangelho pelo mundo inteiro, será contado em sua memória o que ela fez". (Mat. 26,13) E... quem tem nela um exemplo de virgindade e pureza? Vejamos um pouco da história de Santa Maria Madalena.

As trê Marias e Santa Maria Madalena

O Papa São Gregório Magno, foi um zeloso reformador da Igreja, foi quem estabeleceu regras para o canto e cerimônias litúrgicas na Igreja e tornou-se mais conhecido como o criador do Calendário Gregoriano. Alé disso ele foi também um grande estudioso da vida dos santos e das Escrituras Sagradas.

São Gregório Magno afirma que Maria Madalena, Maria de Betania e Maria pecadora, citadas no evangelho, são a mesma pessoa. Por isso mesmo é que Santa Maria Madalena é, entre as mulheres, a que mais tem seu nome citado nos Santos Evangelhos.

 
 

         Ela nasceu em Magdala e viveu no século I. Conheceu Nosso Senhor, foi contemporânea de Nossa Senhora, dos Apóstolos, dos primeiros cristãos."E Lázaro (...) era seu irmão."(Jo. 11, 1-2).  Ela era irmã de Santa Marta e de Lázaro, a quem o Mestre Divino ressuscitou. "Lázaro havia caído doente em Bethania onde estavam Maria e sua irmã Marta. Maria era quem ungira o Senhor com óleos perfumados e Lhe enxugara os pés com seus cabelos" durante um banquete do qual Jesus participava.


Ela escolheu a melhor parte...

"Jesus andava pelas cidades e aldeias anunciando a boa nova do Reino de Deus. Os doze estavam com Ele, como também algumas mulheres que tinham sido livradas de espíritos malignos e curadas de enfermidades: Maria, chamada Madalena, da qual tinham saído sete demônios." (Luc. 8,2)

Madalena foi a mulher a quem Jesus exorcizou.(Mar.16, 9). Depois disso, ela acompanhava Jesus, agradecida, contemplando sua divindade, amando a Deus, santificando-se. Santa Maria Madalena tinha uma alma admirativa e, por isso mesmo, era uma pessoa capaz de contemplar. Nas principais citações que o Evangelho traz dela sua admiração por Nosso Senhor fica destacada. E contemplar a Deus na Pessoa de Nosso Senhor Jesus Cristo foi um dos pontos altos de sua vida.

Sem dúvida, ela exercia tarefas que estavam destinadas às Santas Mulheres, contudo, em suas atividades ela procurava dar mais importancia ao "Deus das obras que às obras de Deus": ela havia escolhido a melhor parte... Esta afirmação está contida nos Evangelhos, são palavras do próprio Nosso Senhor: "Jesus estava em viagem, e entrou em uma aldeia e uma mulher chamada Marta o recebeu em sua casa. Marta tinha uma irmã chamada Maria que se assentou aos pés do Senhor para ouvi-lo falar. Marta toda preocupada com a lida da casa, veio a Jesus e disse: Senhor não te importas que minha irmã me deixe só a servir? Dize-lhe que me ajude. Repondeu-lhe o Senhor: "Marta, Marta, andas muito inquieta e te preocupas com muitas coisas; no entanto, uma só coisa é necessária; Maria escolheu a melhor parte, que lhe não será tirada." (Luc 10, 38-42)

Muito embora ainda fosse uma pecadora, ela já havia dado mostras de sua escolha pela admiração contemplativa. Isso ficou evidente naquele banquete onde outras pessoas estavam com Jesus e não viam nele o Filho de Deus, mas um homem inteligente, esperto, talvez predestinado e, no máximo, um profeta:

"Um fariseu convidou Jesus a ir comer com ele. Jesus entrou na casa dele e pôs-se à mesa. Uma mulher pecadora da cidade, quando soube que estava à mesa em casa do fariseu, trouxe um vaso de alabastro cheio de perfume; e, estando a seus pés, por detrás dele, começou a chorar. Pouco depois suas lagrimas banhavam os pés do Senhor, e ela os enxugava com os cabelos, beijando-os e os ungia com perfume.(Luc. 7, 36-38)

Na Via Dolorosa, no Calvário, ... de pé, com a Virgem Maria!

Esta mulher contemplativa esteve no Calvário. "Havia ali algumas mulheres (...) que tinham seguido Jesus desde a Galileia para o servir. Entre elas Maria Madalena." (Mat. 27, 55-56)  É certo que durante a peregrinação na via dolorosa Santa Maria Madalena esteve ao lado da Virgem Mãe de Deus, Nossa Senhora, a quem ela admirava e venerava afetuosamente e que naquela ocasião era quem mais sofria espiritualmente as dores pelas quais seu Divino Filho passava para a salvação dos homens. E essa, sem dúvida, foi uma ocasião oportuna que, aquela que muito havia pecado, encontrou para consolar quem nunca havia pecado.  No Calvário, quando todos fugiram, "junto à cruz de Jesus estavam de pé sua Mãe, a irmã de sua Mãe, Maria, mulher de Cléofas, e... Maria Madalena."(Jo. 19,25).

Frutos do Amor a Deus

O amor contemplativo de Maria Madalena rendeu-lhe os melhores frutos. E estes frutos não foram só o perdão de seus pecados e a graça de seu insigne e exemplar arrependimento. Outras graças espirituais ainda lhe foram concedidas por causa de sua admiração e amorosa contemplação da Segunda Pessoa da Santíssima Trindade encarnada na Humanidade Santíssima de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Talvez a maior das graças recebidas por ela tenha sido dada por ocasião da Ressurreição do Divino Salvador: "Tendo Jesus ressuscitado de manhã, no primeiro dia da semana apareceu primeiramente a Maria de Magdalena, de quem tinha expulsado sete demônios.(Mar. 16-9)

Seu amor a Nosso Senhor já tinha feito com que ela, após a morte do Salvador estivesse junto dEle também em Seu sepultamento. E, depois que a pedra foi rolada, "Maria Madalena e a outra Maria ficaram lá, sentadas diante do túmulo"(Mat. 27,61).  No que pensava ela ali sentada? Não se sabe. A certeza que se tem é que ela não pensava em si, pois, Seu Senhor era sempre o centro de suas cogitações.

"'Maria!' Ela voltou-se e exclamou: 'Rabôni!' (Jo 20,16)

Passou-se a sexta feira, passou-se o sábado.

"Depois do sábado, quando amanhecia o primeiro dia da semana, Maria Madalena, e a outra Maria foram ver o túmulo" (Mat. 28,1). Ela descobriu o túmulo vazio e ouviu dois seres angélicos anunciarem a Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo. Ela seria a primeira testemunha da Ressurreição do Senhor e a primeira a ver Cristo mais tarde no mesmo dia quando o Mestre deu a ela a mensagem para entregar aos demais discípulos (João 20:1-18).

 
 

Depois disso, que sentido teria continuar vivendo nessa Terra? Após ter sido curada e os demônios terem sido expulsos por Jesus, Maria Madalena coloca-se a serviço do Reino de Deus, fazendo um caminho de discipulado, seguindo Nosso Senhor no amor e no serviço.

A partir deste encontro com Jesus Ressuscitado, Maria Madalena, a discipula fiel, continuou vivendo entre os apóstolos e discípulos, sendo um exemplo vivo das graças que o Senhor dispensou a ela, levando uma vida de testemunho e de luta por uma santidade maior.

A História de uma Virgem

A tradição nos conta que juntamente com a Virgem Maria e o Apóstolo João, ela foi evangelizar em Éfeso. Outra história, que desde muito corre no Ocidente, diz que ela viajou para Provença, França, com seus irmãos Marta e Lázaro com mais outros discípulos para evangelizar Gaul. Neste local ela passou 30 anos de sua vida na caverna de La Saint-Baume, nos Alpes Marítimos. Foi milagrosamente transportada, pouco antes de sua morte, para a Capela de Saint-Maximin, onde recebeu os últimos sacramentos da Santa Igreja. Ela foi enterrada em Aix. Em Vazelay, na França, todos afirmam que suas relíquias ali estão desde o século XI.

No Ocidente, o culto à Santa Maria Madalena propagou-se a partir do Século XII. Na arte litúrgica da Igreja ela é representada com longos cabelos, segurando uma jarra própria para guardar óleos perfumados. Sua festa é celebrada no dia 22 de julho.Quando rezamos a Ladainha de Todos os Santos encontramos o nome de Santa Maria Madalena como a primeira das invocações das Santas Virgens.

Isso não causa espanto a quem sabe que a Deus nada é impossível. É a beleza da contrição e do perdão. Aquele que é capaz de "transformar as pedras brutas em Filhos de Abraão", pode perfeitamente devolver a integridade a uma pecadora. E isso, sobretudo se ela arrependeu-se muito, se admirou muito, se amou muito. Como foi o caso dela. (Fonte: Bíblia Sagrada - Editora Ave Maria - São Paulo - 2008)

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Quem foi Santo Antônio de Pádua?




Por volta do ano de 1193 em Lisboa, Portugal, nasceu Fernando Bulhões que se tornaria depois Santo Antônio de Pádua, ou de Lisboa, como costumam chamar os portugueses.
Aos quinze anos, tendo ouvido com nitidez o chamado de Deus para a vida religiosa, entrou na Ordem dos Cônegos Regulares de Santo Agostinho, no Mosteiro de São Vicente de Fora. Dois anos e meio depois, mudou-se para o Mosteiro de Santa Cruz, em Coimbra, onde adquiriu singular conhecimento das Sagradas Escrituras, base de suas futuras pregações. Foi também nessa cidade ordenado sacerdote.
Com grande pompa chegaram a Coimbra, em meados de 1220, os restos mortais de cinco franciscanos martirizados no Marrocos. O fato soou para o Cônego Fernando como uma aprovação do Céu ao ser desejo de unir-se aos filhos de São Francisco no Convento de Santo Antônio de Olivares. Obtida a licença dos superiores, recebeu o hábito dos Frades Menores algum tempo depois, tomando o nome de Frei Antônio.
 
 
Renúncia à própria vontade
 

Depois de cinco meses de noviciado foi enviado a Marrocos, onde não pôde realizar seus anseios de martírio. Acometido de fortes febres e incapaz de qualquer atividade, foi mandado de volta à Europa. Na viagem de retorno, o navio foi arrastado por uma tempestade para as costas da Sicília. Após passar alguns meses no convento de Messina, Frei Antônio dirigiu-se a Assis, onde se realizaria um Capítulo Geral da Ordem, nas vésperas de Pentecostes de 1221, presidido pelo próprio São Francisco. Encerrada a Assembleia, sendo ainda desconhecido no meio daquela multidão de frades, pediu ao Provincial de Romandiola que o acolhesse como subalterno, e passou a viver no eremitério de São Paulo, exercendo a função de ajudante de cozinha.
Certo dia foi escolhido, de improviso, pelo superior para fazer o sermão de uma missa. Diante da surpresa geral, as palavras daquele irmão, em latim e fundadas na Escritura, foram adquirindo cada vez maior brilho, fogo e clareza. Assim se iniciou a vida pública de Santo Antônio de Pádua.
 
Pregador destemido
 
Dotado de devoção, eloquência e rara memória - conhecia de cor as Escrituras-, Frei Antônio atraía multidões às suas pregações. Destemido, não tinha receio de reprovar os erros dos seus ouvintes, ainda que se tratasse de autoridades civis ou eclesiásticas. Em 1224, o santo religioso foi enviado a pregar no sul da França, onde se alastrava a heresia cátara ou albigense, para ali levar a luz da verdadeira Fé.
Em 1227, Frei Antônio foi convocado para um novo Capítulo Geral dos Franciscanos, sendo eleito Superior Provincial da Emilia-Romagna, região na qual o santo passaria os quatro últimos anos de sua vida. A cidade de Pádua, sede do Provincialato, recebeu em abundância o calor de suas palavras e as manifestações de sua bondade para com todos. Não havia igreja capaz de comportar as multidões - Às vezes 20 mil fiéis - que acorriam para ouvi-lo.
Os labores apostólicos debilitaram a saúde de Frei Antônio. Acometido por uma hidropisia, retirou-se para um período de repouso na pequena comunidade de Camposampiero. Sentindo-se mal, pediu para ser conduzido de volta à Pádua. No percurso, porém, seu estado se agravou e viram-se obrigados a deter-se no mosteiro de Clarissas de Arcella.
Após confessar-se e receber os Santos Óleos, entrou em agonia. Em certo momento, seus olhos se fixaram no Céu e ele exclamou “Vi o Senhor”. Era o dia 13 de junho de 1231 e Frei Antônio contava apenas 36 anos de idade.
Menos de um ano após seu falecimento, no dia 30 de maio do ano seguinte, era canonizado pelo Papa Gregório IX. Em 1263, ao serem transladadas suas relíquias para a Basílica construída em sua honra em Pádua, São Boaventura, então geral da Ordem, encontrou intacta a língua do santo.
O tempo não corrompeu aquele vitorioso instrumento de pregação que salvou tantas almas!
 
Irmã Maria Teresa Ribeiro Matos, EP