domingo, 8 de setembro de 2013

Adoração ao Santíssimo Sacramento pela paz mundial

 
"Quando dois ou mais estiverem reunidos em meu nome, Eu estarei entre eles". Seguindo este conselho do Divino Mestre, não apenas dois, mas a Igreja no mundo inteiro se reuniu neste último sábado (7 de setembro), em oração e jejum pela paz na Síria, a pedido do Papa Francisco na oração do Angelus neste dia 2. Em Nova Friburgo, também a Igreja se reuniu em oração  na Catedral de São João Batista. Unidos ao Bispo Diocesano Dom Edney Gouvêa Mattoso, clero e fiéis fizeram uma hora de adoração a Jesus Sacramentado pedindo pela paz mundial. A recitação fervorosa do terço, a "oração da Paz" recomendada por Nossa Senhora em Fátima,marcou profundamente aquele momento, cujo término se deu com  a bênção do Santíssimo Sacramento.  
 
 



A paz é a harmonia entre Deus e os homens, e dos homens entre si. O pecado de Adão destruiu esta har­monia. O pecado nos fêz inimigos de Deus (Rom 5,10) e se fêz mister uma reconciliação. A paz foi o pre­cioso fruto de seus sofrimentos e morte (LC 24,36; Rom 1,5);

 Nosso Senhor e Salvador trouxe a suspirada paz para as almas de todos os homens que o recebessem (Lc 2,14; Jo 14,27).


Que Jesus Eucarístico traga ao mundo graças da verdadeira paz, paz que Ele veio trazer ao mundo.


 
 

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Conheça a história de uma jovem que desde a infância optou pelo caminho do Céu

Bem-aventurada Dina-Bélanger
04 de setembro
 
Após a Encarnação do Filho de Deus, muitas almas generosas buscaram a sublime forma de união com Jesus Cristo que consiste em procurar viver nEle para que Ele viva em nós (cf. Jo 15, 4). São Paulo, o Apóstolo dos Gentios, que convivera durante três anos com Nosso Senhor, levou essa devoção a um grau tão perfeito que pôde afirmar: “Eu vivo, mas já não sou eu, é Cristo que vive em mim” (Gal 2, 20).
Hagiografia
 
“Jesus e eu não somos mais dois. Somos um: somente Jesus. Ele faz uso das minhas faculdades,
dos meus sentidos, dos meus membros”
Dina Bélanger, aos 14 anos de idade
Já no século XIX, um advogado de Lyon, regressando de Ars, na França, após ter ouvido apenas um sermão de São João Maria Vianney, deu testemunho da união do humilde pároco com Cristo usando expressivas palavras: “Vi Deus num homem!”.
E no início do século passado, uma alma de escol, Maria Margarida Dina Adelaide Bélanger — a primeira canadense da cidade de Quebec a ser proclamada bem-aventurada pela Igreja — procurava descrever sua disposição interior dizendo: “Jesus e eu não somos mais dois. Somos um: somente Jesus. Ele faz uso das minhas faculdades, dos meus sentidos, dos meus membros. É Ele quem pensa, age, reza, olha, fala, anda, escreve, ensina: numa palavra é Ele quem vive...”.1
Dina almejou intensamente essa união. Conhecer em profundidade a Beata Dina Bélanger é, pois, descortinar novos aspectos de Cristo Jesus. Nesse íntimo convívio da criatura com o Criador, Dina desaparece e Ele refulge em toda a Sua glória. Ela passa a ser como um abajur que difunde discreta e suavemente a luz de Cristo, ou como um vitral que a tamisa e reveste de cores belamente adaptadas para a sensibilidade humana. “Meu dever agora, e minha ocupação na eternidade, até o fim dos tempos, é e será o de irradiar Jesus para todas as almas, por meio da Santíssima Virgem”.
A tal ponto ela se tornou uma com Cristo, que Ele próprio, a chamou afetuosamente de “Meu pequeno Eu mesmo”.
Jesus quer sua Autobiografia
Dina teria passado despercebida se sua superiora não tivesse discernido os favores de Deus para com ela. “Você deve escrever a sua vida, minha querida irmã”, disse-lhe. É por isso que temos sua Autobiografia, “uma das mais perfeitas joias da literatura espiritual do século XX”, segundo o teólogo carmelita, padre François-Marie Léthel.
Para Dina, escrever sobre si própria constituía um verdadeiro ato de heroísmo: “Falar  continuamente de mim mesma, e repetir o pronome ‘eu’, que preferiria ver abolido para sempre... Oh!”. Mas obedeceu, a ponto de encher com sua esmerada caligrafia vários cadernos que a superiora guardava cuidadosamente.
Certa vez, Nosso Senhor lhe confidenciou: “Você fará bem por meio de seus escritos”. E assim foi. Dina falava com Cristo com familiaridade, e ao anotar Suas sagradas palavras não o fazia visando apenas o próprio benefício, mas também o dos sacerdotes, dos religiosos e de toda a humanidade.
A infância de Dina Bélanger
Os primeiros anos de Dina se desenrolaram na atmosfera tranquila de uma família franco-canadense de muita fé. Nasceu no distrito de Saint-Roch, da cidade de Quebec, e foi batizada no próprio dia de seu nascimento, a 30 de abril de 1897, com o nome de Maria Margarida Dina Adelaide.
Seu único irmão morreu aos três meses de idade. A partir desse momento, seus pais  concentraram nela todo o seu afeto e cuidados. Sobre esse período de sua vida, Dina escreveu: “O que teria sido de mim se tivesse sido deixada à mercê do meu orgulho, minha obstinação, meus caprichos e minhas traquinagens injustificáveis?”.
Serafina, sua mãe, levava-a sempre à igreja e em suas visitas aos pobres. Ela gostava muito de cantar para a filha, o que levou a menina, naturalmente dotada de senso artístico, a ter paixão pela música.
O pai, Otávio, era contabilista. Talvez tenha sido dele que Dina herdou sua precisão ao expressar-se e a forma metódica de cumprir seus deveres.
Resoluções e metas de vida
Ao longo de sua vida, Dina tomou numerosas resoluções e as cumpriu eximiamente. Quando era estudante, proclamou: “Prefiro a morte a corromper- me”. No postulado, sua meta foi: “Se começar, comece com perfeição”. E na vida religiosa visava “amar e sofrer”. Como fizera Teresa de Lisieux, poucos anos antes, ela tomou a firme resolução de ser “uma santa”. E, para guiar-se nesse caminho, adaptou o princípio de Santo Agostinho ama et quod vis fac (ama e faze o que queres), transformando- o no lema que caracterizou toda a sua espiritualidade: “Amar e deixar- se conduzir por Jesus e Maria”.
Com efeito, foi pelas mãos da Virgem Santíssima que aos 13 anos consagrou-se a Jesus Cristo como escrava de amor, segundo o método ensinado por São Luís Maria Grignion de Montfort.
Na oração inicial de sua Autobiografia, ela agradece a Nosso Senhor tudo quanto Ele lhe concedeu por meio de Sua Mãe Santíssima: “Sem exceção alguma, Vós me concedestes vossas graças por meio de Maria, Vossa e minha bondosa Mãe, a quem quero tanto! E é meu desejo constante deixá-La agir livremente em minha vida, para promover Vossa obra em mim”.
Lutas de alma e oferecimento como vítima
Quando chegou o tempo dos estudos, Dina entrou para o Colégio Bellevue, um internato religioso dirigido pelas irmãs de Notre Dame, no qual sua primeira oração a Jesus foi: “Que eu nunca Vos ofenda nem com o menor pecado venial voluntário, durante minha permanência aqui”. Lá começaram as lutas que, devido à sua índole tímida e reservada, teria de travar durante toda sua vida. “Eu procurava sorrir para todo mundo, mas quanto preferiria estar sozinha!” Por ocasião de uma visita da mãe, ela lhe confidenciou essa dificuldade: “Mamãe, não é brincadeira viver com outras pessoas!”.
Dina conta com toda simplicidade que na primeira sexta-feira do mês de outubro de 1911,  enquanto as estudantes se dirigiam à capela para fazer uma visita ao Santíssimo Sacramento, ela consagrou sua virgindade a Nosso Senhor. Foi também por essa época que se ofereceu como vítima de amor: “Mal ouvira falar dessa doação de si mesmo, conhecida como o oferecimento heroico, eu já me ofereci; abandonei-me inteiramenteà vontade de Jesus, como sua vítima”. Inflamada pelo desejo de entregar a vida, estava certa de que lhe seria dada a graça do martírio do amor.
Ainda naquela época, antes de tornar-se religiosa, adotou uma “regra de vida”, com hora certa para as orações matutina e vespertina, comunhão, rosário, meditação e confissão semanal. E deixou ao Divino Artesão de sua alma a tarefa de guiá-la em segredo.
Assim que soube do início da 1ª Guerra Mundial, em 1914, ofereceu-se uma vez mais a Nosso Senhor, de corpo e alma, em espírito de reparação e de amor: “Fiquei aflita, sobretudo, pelo perigo moral que ameaçava o mundo”.
Estudos em Nova York
Depois de ter terminado os estudos no internato, já com 16 anos, voltou a viver em sua casa.  Seus pais decidiram que deveria continuar com o estudo da música, que iniciara em pequena. Esta arte lhe aproximava de Deus e oferecia-Lhe cada uma de suas notas ao piano como um ato de amor, constituindo para ela uma verdadeira oração, pois seu coração pertencia somente a Deus.
Alguns meses mais tarde, pediu ao diretor espiritual para entrar no convento das Irmãs de Notre Dame, de Villa-Maria, mas foi aconselhada a adiar sua decisão pela negativa dos pais. Cumpria as obrigações sociais com dignidade, dava concertos, apesar destes lhe custarem um esforço enorme, e chegou a ser uma pianista de certo renome. Sempre teve um verdadeiro amor ao próximo, sendo muito sensível à cortesia e ao bom trato. Mas no fundo sempre  pensava em seu desejo de ser religiosa. Surgiu- lhe, então, uma boa oportunidade de aperfeiçoar, num Conservatório de Nova York, seus estudos de piano, harmonia e composição. A oferta era tentadora: “Gostei do plano, pois apreciava apaixonadamente a arte e a beleza.E sempre almejei a perfeição.”
Seus pais duvidaram, mas aconselhados pelo pároco que insistia nisso consentiram, pensando que seria uma boa experiência para sua formação e, de 1916 a 1918, ela estudou nos Estados Unidos. Sendo do Canadá francês, teve dificuldades para se comunicar em inglês, mas encontrou conforto na música, já que o piano tem o mesmo som em qualquer país... Vivia na residência Nossa Senhora da Paz, dirigida pelas religiosas de Jesus-Maria, e estudava bastante no Conservatório, sentindo forte atração pela harmonia musical, matéria que mais gostava. Ao término dessa experiência em Nova York, seu relacionamento com Nosso Senhor tinha-se aprofundado e sua consciência permanecia sem mancha alguma: “Tive de seguir a moda e seus caprichos no que dizia respeito às cores e tecidos, mas evitei vigorosamente as suas exigências extravagantes e culposas”.
 
As ruas da cidade de Quebec conservam ainda hoje, em boa medida, o aspecto da época em que viveu Dina Bélanger
Caminho de perfeição e vida religiosa
Quando Dina retornou de Nova York, contava com 21 anos. Nos quatro anos que transcorreram até sua entrada na vida religiosa, em 1921, os quais passou na casa de seus pais, rezou muito e passou por tremendas aridezes de alma.
Continuou um curso de harmonia por correspondência no Conservatório de Nova York e seguia com os concertos musicais. Gostava muito da música. Mas a vida contemplativa lhe encantava e esse contraste da vida do mundo com suas aspirações lhe provavam a alma. Às vezes podia ouvir a voz de Cristo no fundo do seu coração, mas ficava incerta, com receio de estar sendo vítima de alguma ilusão; depois, porém, se tranquilizava: “Eu notava que Jesus só me falava ao coração quando tudo estava absolutamente calmo”. Em uma ocasião, Nosso Senhor mostrou-lhe um caminho cheio de espinhos pelo qual Ele tinha passado, manifestando o desejo de que ela O seguisse. Para ajudá-la, deu-lhe Sua Mãe Santíssima.
Quando soube que Santa Margarida Maria havia feito um voto de perfeição, Dina imediatamente tomou a resolução de fazer em todas as ocasiões o que era o mais perfeito, embora não tivesse autorização para se obrigar por um voto formal. “Parecia-me que fazer algo menos perfeito seria sinal de um amor tíbio”, escreveu ela.
Diante da dúvida sobre qual comunidade religiosa deveria escolher, o próprio Jesus lhe comunicou: “Quero que você entre na Congregação das Religiosas de Jesus e Maria”. Tinha sido fundada na França, em 1818, por Santa Claudine Thévenet, dedicada à educação das jovens. Ali foi recebida como noviça em 15 de fevereiro de 1922, adotando o nome de Maria Santa Cecília de Roma. Em 15 de agosto de 1923 fez a profissão religiosa, recebendo a incumbência de ensinar a arte musical para as alunas da Congregação.
“Minha ocupação na eternidade, até o fim dos tempos, é e será o de irradiar Jesus para todas as almas,
por meio da Santíssima Virgem”
Grandes experiências místicas
Antes de entrar na plena alegria da união com Cristo, nos albores da sua vocação, ela tinha sentido o tormento da “noite escura da alma”. Entretanto, nesse período de provações fortaleceu-se sua vocação e recebeu diversas graças, entre as quais a de um rompimento tão profundo com seu passado, que ela se sentia como se tivesse morrido e nascido novamente.
Nos primeiros tempos de sua vida de religiosa, Dina recebeu por duas vezes uma singular graça de amor: numa experiência mística, ela “viu” Jesus levar seu coração e deixar o dEle em seu lugar. Depois, já professa, ela “viu” mais uma vez Jesus mostrar-lhe seu coração, que Ele havia levado para Si, queimá-lo todo no altar de Seu amor, bem como ela mesma, e soprar sobre as cinzas, fazendo- as desaparecer, e ficando Ele próprio em seu lugar.
Jesus avisou-lhe ainda que ela morreria em 15 de agosto de 1924, exatamente um ano depois de sua profissão. Quando chegou esse dia, ela não morreu fisicamente, mas Ele deu- lhe a entender que misticamente havia morrido para este mundo e sua união eterna com Ele tinha começado.
Em 3 de outubro desse mesmo ano, foi-lhe permitido fazer o tão almejado voto de perfeição. Numa linda formulação, prometeu a Jesus fazer, em qualquer circunstância, tudo do modo mais perfeito, nos pensamentos, desejos, palavras e ações. Ela se entregou a Deus com confiança e com plena consciência de sua própria fragilidade.
É Cristo que vive e fala em Dina
Depois dessa data, tendo Dina “desaparecido”, é somente a voz de Cristo que domina sua autobiografia. Ele lhe fala com uma ternura tocante e nela encontra a maior receptividade possível. Certo dia, na festa do Nome de Jesus — que ela considerava a sua festa, uma vez que tinha sido substituída por Cristo — escrevia: “Desde o meio-dia, o meu doce Mestre me tem atraído a Si com uma ternura inefável... Depois do meu exame de consciência, notei que estava gozando da presença sensível de Jesus. E Ele me disse delicadamente: ‘Em honra da minha festa!’ Oh! Quanto eu gostaria poder pôr em palavras a doçura de Jesus!”.
Muitas vezes, antes de entregar-lhe Seu cálice ou Sua cruz, para que ela sofresse com Ele,  pedia o consentimento dela com Sua costumeira gentileza: “Aceita?”. De um modo que a deixava sem palavras de tanto amor: “O sofrimento de meu Coração é o martírio do amor; e é isto, minha pequena esposa, que estou lhe dando”.
Jesus falava-lhe da necessidade de que seus sacerdotes tenham uma perfeita vida interior: “Meus sacerdotes... Oh! Quanto os quero! Eu os chamo a serem outros Cristos, a serem  réplicas minhas. [...] Ofereça a meu Pai, por meus sacerdotes, o espírito de oração do Meu Coração, o Meu espírito de oração, a perfeita união do meu Coração com Ele. Isto é o que falta à maioria dos meus sacerdotes: espírito de oração e uma intensa vida interior. [...] Demasiados religiosos e almas sacerdotais não compreendem que os sacrifícios que lhes peço são chamas de amor que vão se desprendendo de meu Divino Coração para os arrastar e santificar seu humano coração”.
Pela pena de Dina, Jesus se manifestavaà humanidade, esquecida de seu amor: “Meu Coração está tão transbordante de amor pelas almas que já não consegue mais segurar as torrentes de graças que Eu gostaria de derramar sobre elas: mas a maioria das almas não quer ter nada a ver com o meu amor...”.
“As almas ficam tristes na medida em que se distanciam de Deus. O grande desejo do meu Pai, e o meu, é de ver todas as almas felizes, ainda nesta terra”.
Um cântico de amor
Dina faleceu no dia 4 de setembro de 1929, apenas sete meses antes de completar a “idade perfeita”, em que Cristo entregou Sua vida por nós na Cruz: 33 anos. Nos sofrimentos da enfermidade que a levou à morte — a tuberculose —, Jesus aceitou seu oferecimento como vítima, colhendo- a em tão jovem idade.
Em seus últimos escritos, de julho de 1929, num “cântico de amor”, Nosso Senhor abraça, por meio dela, a humanidade inteira:
“Nenhuma invocação responde melhor do que esta ao imenso desejo de meu Coração Eucarístico de reinar nas almas: ‘Coração Eucarístico de Jesus, venha o Vosso reino, pelo Imaculado Coração de Maria’. E ao meu infinito desejo de comunicar minhas graças às almas, nenhuma invocação responde melhor do que esta: ‘Coração Eucarístico de Jesus, abrasado de amor por nós, abrasai nossos corações de amor a Vós’”.
 
Elizabeth Veronica Mc Donald
Revista Arautos do Evangelho, setembro de 2009
 
* * *
 
A Irmã Maria Santa Cecília de Roma foi beatificada em 20 de março de 1993, por João Paulo II, e seus restos mortais repousam na nova capela da comunidade de Sillery, em Quebec.

 1 Todas as citações em itálico, entre aspas, foram extraídas de BÉLANGER, Dina. Autobiography. Edition revised and update. 3a. ed. Atelier Rouge: Quebec, 1997.

domingo, 1 de setembro de 2013

Pare um pouco e leia uma história... E leve uma bela lição para a vida



Percorrendo seus vastos domínios, com altivez e orgulho, o monarca queria saber quanto ganhava cada trabalhador daquelas propriedades. Só não podia imaginar que não ganhavam eles menos do que o rei...
Irmã Ana Lúcia Iamasaki, EP
O rei Rigoberto era extremamente poderoso, pois seus domínios se estendiam das montanhas ao mar. O reino era próspero e havia grande harmonia entre os súditos. Todas as dificuldades de relacionamento surgidas entre os habitantes eram resolvidas na catedral, pelo Bispo do lugar, Dom Edmundo. Homem sábio e santo, não usava ele como argumento de juízo senão os Dez Mandamentos. Desta forma, se sabia onde estava a verdadeira razão nos casos conflituosos e tudo voltava à paz. A cada domingo, as Missas eram bem concorridas. Depois do sermão do Prelado, as filas dos confessionários se enchiam e os padres coadjutores eram testemunhas da imensa virtude e boa vontade daquela tão piedosa população.


Em uma clara manhã de primavera, o monarca
se despertou decidido a explorar
seu vasto território
Apesar de tudo isso, o rei não era muito dado à Religião. Sempre ia à Missa, é claro! Até tinha um trono no presbitério. Mas não fazia mais do que isso...
Ao contrário dos vassalos e da rainha, não rezava nada e era assaz orgulhoso. Nas reuniões do Conselho Real, manifestava enorme ambição, querendo aumentar mais e mais sua renda e bem-estar particular, nunca estando plenamente satisfeito com os resultados. Nem mesmo o fato de ele não ter inimigos com quem guerrear e sua gente ser de paz o deixava contente.
Em uma clara manhã de primavera, o monarca se despertou decidido a explorar seu vasto território, para vê-lo com os próprios olhos e analisar se poderia fazer algo para aumentar seus benefícios pessoais. Mandou arrear o mais belo corcel da cavalariça, vestiu o sedoso traje de montaria de veludo, calçou as lustrosas botas de pelica com as esporas de ouro e adornou- se com sua mais bonita capa, preparando-se para a longa cavalgada. Acompanhado dos pajens e do chanceler real, saiu do palácio a galope.
As flores estavam em pleno vigor e coloriam os jardins. O trigo dourava os campos, as uvas perfumavam as vinhas, os moinhos giravam com a força do vento, esmagando os grãos para a farinha mais fina, e os rebanhos de bois, vacas, cabras e ovelhas pastavam mansos nos extensos e verdes campos de sua propriedade.
O soberano foi ficando animado por ver a beleza e a grandiosidade de suas posses. Contudo, algo o intrigava. Quanto deveria ganhar aquela gente corada e saudável, para trabalhar tão contente? Ele, que tanto possuía, não tinha tal felicidade... Aproximou-se do moleiro e disse:
Bom dia, senhor moleiro! Surpreso pela inesperada chegada real, limpando as mãos no avental e tirando o gorro, respondeu ele, com respeito:
- Bom dia, Majestade! A que devo a honra de vossa presença?
- Estou visitando meu vasto e próspero reino. Diga-me uma coisa: quanto ganha um moleiro para trabalhar no meu moinho?
- Ah, Majestade! Ganho 50 moedas reais e uma casinha, onde me abrigo com minha família. Não é muito, no entanto, vivemos bem, pela graça de Deus.
O rei se despediu e esporeou o cavalo, pensando: "Como alguém pode viver feliz com apenas 50 moedas? Isso não dá para nada!".
Aproximando-se das parreiras carregadas, viu vários vinhateiros na lida: alguns colhiam as uvas, outros trabalhavam no lagar. À chegada de tão nobre personagem, todos tiraram os chapéus de abas largas, fazendo uma reverência. Chamando o capataz, disse:
- Bom dia, jovem!
- Bom dia, Majestade! - respondeu o rapaz, cheio de veneração - Que ares trouxeram tão augusta presença a este lugar?
- Estou inspecionando meus domínios. Diga-me uma coisa: quanto ganham seus subalternos para trabalhar na minha vinha?

- Cada um deles, Majestade, ganha 60 moedas reais e mais uma gratificação pelas horas extras, no tempo da colheita, além da manutenção de suas famílias. Não é tanto, porém, vivemos com certa folga e agradecemos a Deus por não faltar trabalho.
Vendo a fisionomia sorridente de todos eles, despediu-se o monarca, ainda mais intrigado: "Ganham tão pouco e ainda agradecem a Deus?! Como pode ser isso?".
Ao meio-dia, chegou a um campo aberto, onde pastava um sereno rebanho de ovelhas. Encontrou o pastor com as mãos postas e o olhar elevado, rezando o Angelus. Ao terminar a oração, depois de um solene sinal da cruz, ele se virou para o rei e, fazendo uma inclinação profunda, tirou o chapeuzinho de feltro, dizendo com um franco e sincero sorriso:
- Majestade! Que surpresa!
- Bom dia, senhor pastor! Estou percorrendo minhas propriedades. Diga-me uma coisa: quanto ganha um pastor para guardar o meu rebanho?
Ao ser indagado pelo rei o pastor respondeu: "Um
pastor em vossos campos, Majestade, ganha
o mesmo que o rei!"
Olhando fixamente para o soberano, respondeu ele com firmeza:
- Um pastor em vossos campos, Majestade, ganha o mesmo que o rei!
Tendo um sobressalto, este redarguiu:
- Como se atreve a dizer isso?! Um pastor não pode ganhar muito mais do que um moleiro ou um vinhateiro, e eles não passam nem perto dos lucros do rei! Sabe você quanto ganha um rei?
- Ora, Majestade. Com meu trabalho e minha vida, o que ganho eu é o Céu ou o inferno, dependendo de minha conduta. Vossa Majestade não pode ganhar nem mais, nem menos...
Ante tal resposta, o monarca caiu em si e compreendeu não ter valor nesta vida senão o que nos prepara para a outra... Mais importa ajuntar tesouros no Céu! E era isso o que fazia seu povo, razão de tão autêntica alegria.
Voltando para o palácio, o rei apeou do cavalo e dirigiu-se a pé para a catedral, a fim de buscar o santo Bispo, pois queria fazer uma boa Confissão e retomar a vida de piedade, abandonada há tanto tempo. Agora desejava entesourar no Céu e ser feliz! Os bons exemplos que passou a dar, a partir de então, não só lhe trouxeram proveito para si, senão mais graças e prosperidade para o povo e para o reino.
Revista Arautos do Evangelho, Julho/2012, n. 127, p. 46-47

sábado, 31 de agosto de 2013

Projeto Futuro e Vida visitou vários colégios em agosto


Arautos do Evangelho
“Quem canta, seus males espanta”, afirma o velho ditado. Quem não se alegra ouvindo uma boa música? Ela tem a impressionante capacidade de mudar o ambiente, trazer alegria, encorajar...
Arautos do Evangelho

Neste início de segundo semestre, o Projeto Futuro & Vida esteve alegrando inúmeros alunos em diversos colégios, com sua atraente apresentação musical.

De diversas idades, crianças e jovens dos colégios Jardel Hotz, Juscelino Kubitscheck, Ermínia dos Santos e Umbelina Breder, participaram do concerto e manifestaram seu interesse pelo mundo da cultura.
Que esta “semente” lançada,  seja cultivada por cada um e lhes sirva de incentivo para a construção de um futuro de paz e de valores! 


quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Peregrinações inesquecíveis

"Cantai ao Senhor um cântico novo. [...] Porque o Senhor é grande e digno de todo o louvor [...] Em seu semblante, a majestade e a beleza; em seu santuário, o poder e o esplendor. Tributai ao Senhor, famílias dos povos, tributai ao Senhor a glória e a honra, a glória devida ao seu nome."
(Sl 95, 1.4-8)
 
Seguindo o conselho do Salmista Davi, várias famílias de Nova Friburgo foram neste fim de mês vocacional tributar ao Senhor honra e glória em vários de seus santuários. Em visita a São Paulo, conheceram a Basílica de Aparecida- o santuário nacional da padroeira do Brasil- e com grande devoção veneraram a imagem milagrosa da Santíssima Virgem da Imaculada Conceição. Torrentes de graças foram dispensadas pela nossa padroeira nesta ocasião.
   
 
 
Em Caieiras, SP, foram em peregrinação à Basílica de Nossa Senhora do Rosário de Fátima, dos Arautos do Evangelho, idealizada pelo próprio fundador da instituição, Mons. João S. Clá Dias, e filiada à Basílica Papal de Santa Maria a Maior. Mais uma vez comprovaram o esplendor do Santuário do Senhor de que nos fala o Salmista.
 
 
 
 
Visitaram, também, a Igreja de Nossa Senhora do Carmo, situada no Monte Carmelo, casa-mãe da Sociedade de Vida Apóstolica Regina Virginum, e suas dependências e lá participaram da Santa Missa.
 
 
 
 
Dispensável seria perguntar se gostaram da peregrinação, pois no semblante de cada membro destas famílias está denotada a alegria e a satisfação por deslocar-se de tão longe para ver tantas maravilhas. Os vitrais, as pedras do piso, as pinturas, as cores; o que se pode dizer que foi mais belo? Só visitando se pode ter a conclusão, pois nem se quer as fotos podem dar ideia da realidade!

Que a Santíssima Virgem faça frutificar em cada coração essa semente que Ela mesma depositou em seus filhos nessa bendita viagem, e que cada peregrino a Ela seja fiel, até que chegue o dia de contemplar as belezas que Deus preparou àqueles que o amam, para toda eternidade!
 

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Homenagem aos pais - Encontro das famílias nos Arautos

"Como o Pai me amou, assim também Eu vos amei". Muito se fala do amor de mãe, mas é necessário confessar que o amor de pai não fica aquém do amor materno. O próprio Nosso Senhor, que nos amou até a morte, diz ter nos amado como o Pai. E este Pai Eterno que nos ama infinitamente está, em parte, representado em cada um dos nossos pais. Para comemorar o dia dos Pais, os Arautos do Evangelho promoveram um encontro entre famílias.

Arautos Nova Friburgo
 
 A animada manhã de domingo começou com a celebração da Santa Missa, assistida por todos com muito entusiasmo e devoção, e acompanhada pelo coral dos próprios pais, treinados pelos Arautos.
 
 
 
Cumprido o preceito dominical, pais e filhas receberam o escapulário, símbolo do manto e da proteção da Senhora do Carmo.
 
A representação teatral desta vez foi diferente: não eram as crianças que representaram, mas apenas suas mãos numa surpreendente encenação de fantoches, narrativas de fatos da vida do Santo de Pádua, nosso querido Santo Antônio.
 
 
O encontro foi, ademais, ocasião para as alunas do Projeto Futuro e Vida mostrarem aos pais seus novos talentos recém-descobertos nas aulas do Projeto: concerto com flautas, percussão, músicas em diversos idiomas, além da presença de personagens típicos de várias nações, vindos,  inclusive, do longínquo Japão.
 
 
 
 

Encerrando e "coroando" as atividades, foi servido um delicioso churrasco, preparado na própria casa. Ambiente de alegria e familiaridade não faltaram neste dia. 

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Coroação da Imagem Peregrina na Solenidade da Assunção

 
"Com uma graça toda sua,
Mais brilhante do que a aurora,
Do que o sol e do que a lua,
Sobe ao Céu Nossa Senhora.
 
Mais que os santos todos brilha,
Mais que os anjos irradia:
Se do Pai foi sempre Filha,
Mãe de Deus tornou-se um dia.
 Ela em si O trouxera outrora,
Como o sol em treva imerso,
Em Deus Pai contempla-O agora,
A reinar sobre o universo.
Mãe de Deus ao céu erguida,
seja esta prece a tua:
deste a Deus a nossa vida,
Nos concede agora a sua.”

 (Hino da solenidade da Assunção de Nossa Senhora- Liturgia das Horas)

 
Na solenidade da Padroeira, o setor feminino dos Arautos do Evangelho realizou a coroação da Imagem Peregrina na Paróquia de Nossa Senhora da Assunção, no bairro Bela Vista.

 
 
Encerrando os festejos da comunidade em honra da Mãe de Deus, a imagem adentrou no santo Templo enquanto os fiéis unidos cantavam “Vinde, vinde ó Rainha! Vinde, vinde ó Maria, vinde para ser coroada”.
 

Mais uma vez cada um dos presentes renovou sua entrega à Santíssima Virgem, podendo experimentar a suavidade e doçura dAquela que é Refúgio dos Pecadores, e que jamais deixa de ouvir a prece do menor de seus filhos.